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Guaporé é esquecido diante do vale

NacionalNotícias • 1 de março de 2009 por Silvana Losekann

Os morcegos, os cupins e os maribondos são os senhores do Engenho Guaporé. A casa-grande construída mais de 150 anos atrás, no fausto da economia da cana-de-açúcar no Vale do Ceará-Mirim, jaz vítima do descaso do brasileiro com seu patrimônio histórico. Governo do estado, prefeitura e governo federal dizem ter planos para a construção, onde já funcionou o Museu Nilo Pereira, mas não há projeto de restauração em curso.

O Guaporé foi residência do governador da província do Rio Grande do Norte, Vicente Inácio Pereira. Mobília de jacarandá, lustres de cristal e paredes de veludo faziam parte de um cenário que recebeu jantares, festas e reuniões dos homens de decisão da época. Também foi lá que o escritor, pesquisador e jornalista Nilo Pereira, neto de Vicente Inácio e um dos mais respeitados intelectuais potiguares do século 20, passou a infância. Hoje, apenas a própria imponência do prédio, que resiste ao abandono e ainda não caiu em ruínas, remonta a seu passado de destaque na sociedade açucareira.

Uma tentativa de revitalização chegou a ser feita. Em 1978, a casa-grande em estilo neoclássico, construída em 1850, foi cedida à Fundação José Augusto e prefeitura, pela usina Companhia Açucareira do Vale do Ceará Mirim, a quem o terreno pertence. A fundação implantou um museu com o nome de Nilo Pereira e tombou o monumento dez anos depois.

Posteriormente, a pouca visitação e os custos de manutenção levaram a fundação e a prefeitura (a quem cabia co-administrar o espaço) a desistirem do projeto, segundo informações da própria FJA. O acervo foi guardado na reserva técnica da fundação, no Palácio da Cultura.

O Guaporé fica distante pouco mais de 1km do centro de Ceará-Mirim, há cerca de 300m da margem da rodovia que leva ao roteiro dos engenhos do município. A lista é formada por 17 propriedades, de prédios em ruínas a casas-grandes bem preservadas. Duas placas de metal aparentemente recentes sinalizam a presença do museu, uma na entrada da propriedade e a outra na entrada da casa-grande. O Guaporé também é sinalizado por uma outra placa na entrada da propriedade, essa de pedra e já bastante apagada, que juntamente com o mato e o prédio decadente formam um cenário melancólico.

Tombamento ainda tramita no Iphan

A arquiteta Andréa Costa, do escritório local do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informa que o Guaporé é um dos 17 engenhos de Ceará-Mirim que poderão ser tombados pelo órgão. A arquiteta explica que um levantamento realizado entre 2006 e 2008 na região gerou um projeto de tombamento já encaminhado a Brasília. ‘‘Não há como prever quando o tombamento será feito e também não temos como precisar quantos e quais engenhos serão objeto de tombamento, porque isso dependerá da análise que será efetuada com base na relevância histórica e arquitetônica, e no estado de conservação dos bens’’, revela. ‘‘Infelizmente, o Ministério da Cultura detém um dos menores orçamentos no governo federal e já há muitos projetos de tombamento à espera, como, por exemplo, o do centro histórico de Natal’’, cita. Andréa destaca o legado histórico e arquitetônico das casas-grandes. ‘‘Os casarões retratam uma realidade de luxo, riqueza e glória, mas também de trabalho, suor e lágrimas. A arquitetura reflete o luxo e requinte europeus trazidos em grande parte pelos filhos dos senhores de engenho quando regressavam de suas viagens ao velho continente, a estudo ou passeio’’, comenta.

A especialista aponta que o engenho Guaporé tem um diferencial arquitetônico em relação à maioria das casas-grandes do circuito histórico de Ceará-Mirim, que é a inspiração neoclássica.

Gabriel Trigueiro da equipe de o poti

RENDEIRAS DE JACUMÃ

AS RENDEIRAS DE JACUMÃ

Livro Ceará-Mirim tradição, engenho e arte - 2005 (por Dayanne Crystine Souza da Luz)

A renda de bilros ou de almofada, originária da Itália, chegou ao Brasil no século XVI, na região costeira, entre comunidades de pescadores. No Ceará-Mirim a confecção de renda surgiu pelas mãos das mulheres, nas praias de Muriu e Jacumã. Hoje o artesanato rendeiro está extinto em Muriu, pois as mulheres não se interessam em perpetuar a tradição. marinalva Maciel conta qu sua Mã, natália Gomes, aprndeu a fazer renda de bilros aos dez anos de idade, com sua mãe, na época em que trabalhavam embaixo das árvores da praia e nas portas das casas. O comprador era o veranista que passava  se interessava pelo produto, geralmente caminho de mesa, blusa e estola.Natália Gomes parou de produzir renda há seis anos, por motivo de doença. Hoje em muriú tem um centro de artesanato para o turista, onde são vendidas peças vindas de outros estados brasileiros, em flagrante desestímulo ao artesanato local.

A "Associação da Mulher Rendeira" em jacumã, formada há dois anos, treinou e incentiva as mulheres para aperfeiçoarem um trabalho que fora aprendido com suas avós. Novos pontos são incorporados ás renda e é ensinada a forma de a artesã calcular o seu lucro e entrar no mercado. O trabalho da rendeira é delicado e custoso, usando almofada, linha, bilros, papelão, alfinetes e espinhos de cardeiros.

Publicado pelo jornalista Sergio Villar em seu Diário do Tempo

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Ceará-Mirim inserida na Lei do Patrimônio Vivo

Os dez beneficiados deste ano pela Lei do Patrimônio Vivo já foram escolhidos.

Como noticiei por meio de matéria veiculada no Diário de Natal, os dois primeiros grupos (dos três contemplados com a bolsa vitalícia de R$ 1,5 mil) foram a Chegança e o Fandango, ambos de Canguaretama.

Soube hoje que o terceiro e último foi definido. E para minha alegria, o grupo escolhido foi o Cabocolinho de Ceará-Mirim, capitaneado pelo mestre Birico.

Quando estive em Ceará-Mirim para realizar o mapeamento cultural proposto pela revista Preá tive a oportunidade de conversar com Birico e com mestre Tião, do Congo de Guerra, do mesmo município.

Pois meu amigo e grande batalhador da cultura cearamirinense, Gibson, avisou que o nonagenário Tião foi o sétimo e último escolhido para receber a bolsa individual (R$ 700), entregue aos mestres.

Torço mesmo que essa grana seja bem empregada e produza frutos, incentivo e dignidade a essas pessoas. Elas merecem e muito.

De cá, tiro meu chapéu surrado a Gibson, ao deputado Fernando Mineiro - autor da Lei - e à Comissão Estadual de Folclore, presidida pelo folclorista Severino Vicente e de seu presidente de honra, Deífilo Gurgel, pelas escolhas.
LEMBRANÇAS DE 7 DE SETEMBRO

LEMBRANÇAS DE 7 DE SETEMBRO

Desfile na Semana da Pátria - 07 de setembro - idos de 1960 - Escola Normal de Ceará-Mirim

As reminiscências são como energias que nos sacodem quando voltam em nossa memória. Elas têm o poder de fazer com que reflitamos cada momento vivido e, sempre, há algo que nos faz recordar emocionados, principalmente quando somos os principais atores.

É o caso dos desfiles escolares no 7 de setembro lá nos idos dos anos 1970. Era o  meu tempo, desfiles acompanhados pelas bandas escolares cadenciando as marchas e, nós, orgulhosos por representar nossas escolas numa data tão importante para os brasileiros.

Não sei se no momento atual, em nossa briosa vila, é possível realizar um ato de civilidade tão significativo, As emoções são outras e poucos têm conhecimento do que é patriotismo.

Estamos na era dos marombados, das garrafinhas e de tantas esquisitices que ofuscam o querer ser brasileiro, porque, também, nossa Pátria Mãe Gentil vive um momento em que filhos ilustres, que são pagos para protegê-la, surrupiam o verde e amarelo sem nenhum escrúpulo, tornando-se espelhos para uma legião de "filhos de goiamuns" que são gerados para abocanhar nossas divisas.

Nós brasileiros, estamos à mercê de uma realidade cruel onde ser honesto é, para uma grande maioria, sinônimo de babaquice e a esperteza é um símbolo de conquista em nosso Brasil Varonil.

De qualquer forma estou enviando uma fotografia de um desfile de 7 de setembro, em nossa província verde cana, lá pelos tempos de 1960. Tempo em que ser brasileiro era ser filho de uma Mãe Gentil e tínhamos orgulho de defendê-la.

Em viagem a Caicó dia 04/09/2009 tive oportunidade de presenciar um desfile cívico na cidade de Macaíba. O clima de festa era enorme, as pessoas nas ruas vibravam e aplaudiam as diversas escolas que desfilavam cada uma com sua banda, nelas, os componentes estavam devidamente uniformizados conduzindo emocionados cordões de estudantes que marchavam em sincronia com as marchas tocadas.

 

Semana da Patria - desfile na cidade de Macaíba - 04/09/2009

Em Caicó, no distrito de Lajinha, distante 30 quilômetros da cidade, encontramos, dia 06/09, os estudantes da localidade desfilando na praça e eram conduzidos pela banda da escola. As pessoas no pequeno distrito, encravado entre serras e caatinga, comemoravam heroicamente o dia da Independência do Brasil.

Será que era possível resgatar em nossas escolas, principalmente as públicas, esse momento de confraternização e civismo para nós brasileiros?. É muito importante que nossos políticos e sociedade se unam para valorizar e reintroduzir esse evento no calendário das festividades de nosso município, pois ele é muito importante para a história de nosso país.

 

ENCONTO DE MESTRES DA CULTURA POPULAR

Foto para registrar a reunião com os mestres e o início de uma nova parceria

É muito importante fazer o registro de ações que venham produzir resultados positivos. Preocupado com a situação de nossa cultura popular, solicitei ao amigo Francisco Navegantes que viabilizasse um encontro dos Mestres de nossa cultura popular com o Deputado Mineiro autor da Lei do Registro do Patrimônio Vivo.

Convocamos os Mestres e fizemos a reunião no dia 13 de agosto de 2009. O deputado fez uma explanação do que era a Lei e sugeriu que agilizássemos as inscrições de nossos valores culturais no concurso que se encerraria no dia 20/08/2009.

A partir desse encontro ficou acertado que faríamos o possível para inscrever todos que tivessem possibilidade de ser selecionado. Enviamos os portfólios do grupo Boi de Reis de Matas e o de Mestre Tião. Os Cabocolinhos foi providenciado pelo Mestre Severino Roberto. Graças a união e força de todos, conseguimos com que os Cabocolinhos e o Mestre Tião Oleiro do Congo de Guerra fossem contemplados como Patrimônio Vivo do RN, pela Fundação José Augusto e Governo do Estado do RN. Os Cabocolinhos receberão recursos financeiros que ajudará na sua manutenção e o mestre Tião receberá um salário até o fim de sua vida.

A Prefeitura de Ceará-Mirim poderia fazer um estudo junto com a Câmara de Vereadores para que nosso município também tivesse uma Lei que beneficiasse os representates reais de nossa Cultura Popular. Para não corrermos o risco de permanecer sem reconhecer os valores da terra, como foi o caso de tantos artistas que já se foram, como Etevaldo, Mané Rebequinha, Isaac do Grude, José Luiz, José Gago, Mestre Déo, Isabel Poti e tantos outros.

A reunião com os Mestres foi o ponto de partida para que iniciasse o processo de registro de todas as nossas manifestações culturais na Receita Federal. A partir da segunda semana de setembro faremos os contatos para viabilizar todos esses registro de CNPJ, principalmente dos grupos folclóricos que estão ameaçados de desaparecimento, como é o caso dos Congos de Guerra, Pastoril, Boi de Reis de Matas, bambelô Asa Branca do Mestre Belchior.

A situação da valorização de nossas tradições é muito crítica. Saimos eu e mestre Birico a fim de localizarmos um grupo de Bambelô que existiu na comunidade de Gravatá. Lá encontramos o mestre José Rodrigues a quem solicitei informações para reestruturarmos o bambelô. Para minha surpresa e tristeza ele nos informou que isso era praticamente impossível porque não existia o coqueiro (brincante e poeta que tira as emboladas e as rimas improvizadas) e, também, era raro encontrar batedores dos tambores que fazem o acompanhamento do côco de roda, principalmente o que chamamos de "chama".

Fica o manifesto para que nos instigue a fazer, dessa preocupação e desabafo, um aliado que venha provocar a coragem e tenacidade de nossos artistas e representantes da cultura popular a fim de que busquem crescer e que não esperem somente a ajuda das esferas públicas, porque sabemos que é uma obrigação constitucional, no entanto, pouca coisa "constituciuonal" no Brasil funciona plenamente. Nos resta pedir forças para superar as diversidade e encarar os desafios a fim de crescer e vencer pelo cansaço e não perder pelo desespero e pela desesperança.

MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELA

MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELLA

Por Denise Gaspar

 

            Filha de Maria Madalena Antunes Pereira e Olímpio Varella Pereira, Maria Antonieta Pereira Varella nasceu em Ceará-Mirim no dia 09 de maio de 1906.

            Fez seus primeiros estudos com a professora Adele de Oliveira e depois na Escola Doméstica de Natal, tendo se destacado sempre pela sua inteligência, educação, discrição, beleza e simplicidade.

            Casou no dia 01 de maio de 1924 com Luiz Lopes Varella, primo, fidalgo de nascimento e logo usineiro de sucesso, prefeito de Ceará-Mirim, suplente do Senador Kerginaldo Cavalcanti, empresário, dono dos cinemas Nordeste e São Pedro, algumas sociedades com Luiz de Barros e outras com Jessé Pinto Freire.

            Do seu casamento com Luiz Varella nasceram 5 filhos: Marilda, Mariza, Manoel, Roberto e Ione.

1)   Marilda nasceu em 31/01/1925 e casou em 1946, na usina São Francisco em Ceará-Mirim, com o oficial de Marinha João Carlos de Freitas Raulino. Tiveram 5 filhos: Marildinha, Luiz Eduardo, Regina Laura, Carlos Eduardo e Branda Maria.

2)   Marilza faleceu com um ano e oito meses.

3)   Manoel faleceu com 8 meses.

4)   Roberto nasceu em 04 de novembro de 1928 e casou-se em Natal, no ano de 1951, com Maria Elenir Fonseca. Tiveram quatro filhos: Luiz Neto, Cinthia, Márcia e Sheila. Em  1985 uniu-se a Ana Anunciada Costa com quem viveu até o seu falecimento em 04 de outubro de 2006.

5)   Ione nasceu em 26 de janeiro de 1931 e casou em Natal em 1948, com o primo – agrônomo, depois usineiro e deputado federal Eider Freire Varela. Tiveram três filhos: Tânia, Euler e Eudes.

            Antonieta teve papel de grande destaque na vida do seu marido Luiz Lopes Varella. Quando da Intentona Comunista em 1935, Luiz Varella, usineiro, foi paradoxalmente acusado de comunista, tendo sido perseguido e forçado a viajar com toda a família, vivendo humildemente no bairro do Andaraí, costurando em sua residência para o sustento de todos, inclusive sua sogra, a fidalga Dona Etelvina de Paula Lopes Varella.

            Esta passagem enchia de orgulho o seu esposo, que costumava dizer à sua filha Marildinha: “Eu jamais seria o que sou sem Antonieta – ame-a muito e sempre”.

            Era excelente dona de casa, exímia na arte culinária e dotada de requinte ímpar nos menores detalhes. Como anfitriã, recebeu com perfeição as maiores autoridades do Estado e do País, tais como os governadores Aluizio Alves do Rio Grande do Norte, Ademar de Barros de São Paulo e o presidente da República João Café Filho que foi seu hóspede inúmeras vezes.

            Suas casas, quer na usina São Francisco em Ceará-Mirim, como em Natal, eram decoradas com  a mais requintada simplicidade, apesar das pratarias, cristais, porcelanas e quadros valiosos. Nelas, recebia não apenas autoridades e políticos, mas também os humildes, os funcionários, os moradores, familiares e todo aquele que precisasse de caridade ou do aconchego familiar. Suas casas eram abertas a todos, sem discriminação de estado social.

            Mas ela não era apenas uma excelente hostess. Eram inúmeras as qualidades dessa extraordinária mulher: Dona de uma personalidade invejável e possuidora de forte caráter, foi também uma das primeiras mulheres a dirigir automóvel no Rio Grande do Norte. Inteligente, altiva, porém, bastante sentimental e carinhosa, era excelente filha, irmã e esposa, mãe, tia, sogra, avó e bisavó. Acima de tudo, era amiga de seus amigos, e por isso muito bem relacionada em toda a sociedade.

Abel, Antonieta, Vicente e Ruy

            Amava seus irmãos: Ruy, Vicente, Abel e Darquinha, assim como todos os sobrinhos.

            Lembro-me do carinho que dedicou a minha família em 1947 quando meu pai Ruy Antunes Pereira,e minha mãe Odette, resolveram morar em Natal. Como nossa casa estava em construção, ficamos todos – meus pais, o afilhado Ruyzinho e eu – hospedados com os queridos tio Luiz e Antonieta. Época, em que tivemos a honra de privar da hospitalidade desse casal ímpar, que se tornou meus compadres, padrinhos de batismo de meu filho Sérgio Gaspar.

            Como o mesmo afeto e elegância cederam a mansão da Praça Pio X, para a recepção dos casamentos das sobrinhas Gipsy (com Dr. Antonio Montenegro) e Suely (com Dr. Emanoel Alves Afonso).

            Antonieta Varella também fazia filantropia, isolada ou em grupo, ia, por exemplo, sozinha em seu automóvel, para que ninguém soubesse, levar mantimentos aos detentos da penitenciária “João Chaves”, em Natal.

            Foi  uma das fundadoras da ACF (Associação Cristã Feminina) – entidade que recebia moças que vinham do interior para estudar em Natal. Atuou com destaque ao lado de Maria Alice Fernandes, Ivete Bezerra, Cindinha  Dumaresq e Lucia Viveiros, dentre outras. Segunda presidente, em sua gestão foi adquirida a casa onde a associação funciona até hoje – Avenida Prudente de Morais, nº. 300.

            Após perder seu marido, Luiz Varella em 15 de julho de 1976, residiu em seu apartamento no Rio de Janeiro e voltou a morar em Natal e posteriormente em Ceará-Mirim, onde faleceu em 20 de janeiro de 1990.

            Eleita por um jornal da Paraíba como “EXCELSA IMPERATRIZ DA FORMOSURA”, pode ser considerada, pelas suas atitudes e pelo seu caráter, a – “GRANDE DAMA DOS VERDES CANAVIAIS E DO RIO GRANDE DO NORTE”!

VISITA A DOM UBIRATAM...O MAGO DE SHANGRILÁ

Esse registro foi feito no aniversário de Carlos Sobral em Canudos... infelizmente não registrei nosso encontro dia 25/08.

Terça-feira dia 25 de agosto de 2009 (detalho a data para o futuro fazer a referência) fomos eu e meu amigo, mineiro de diamantes e angolano de labuta, João José visitar o lendário Xamã Dom Ubiratan em seu retiro espiritual Shangrilá.

Fazer uma descrição daquele ambiente maravilhoso é como viajar no imaginário mundo encantado de algum lugar medieval em que temos a sensação de sermos observados por gárgulas invisíveis que nos vigiam através do pequeno fragmento de mata atlântica que circula o espaço.

Árvores frondosas e arbustos de jurema preta tornam Shangrilá mágica, transcendental e mística, é como um transporte para o inexistente, por isso o sábio bruxo fica isolado recebendo energias cósmicas e expurgando as forças pecaminosas emanadas pelos metafóricos “Cavaleiros de Walpurgis”.

O que interessa mesmo relatar são as histórias “bocadamateanas” contadas por Manoelzinho Moreira  o Mago de Shangrilá... São fatos que valem ouvir e registrar porque fazem parte de todo um itinerário histórico e cultural de nossa contemporânea Ceará-Mirim.

Sempre que visito Shangrilá tento digerir - além do bom vinho e acompanhamento - o máximo de informações possíveis uma vez que nossos encontros são passageiros e o tempo naquele lugar mágico transcorre numa velocidade impressionante, por isso que, consciente daquela efemeridade, busco captar tudo quanto é discutido em nossas conversas.

Foi uma tarde diferente para ser uma terça-feira, no entanto meu amigo João José viajava no dia seguinte para Angola e foi presentear Dom Ubirartan com um livro de lugares importantes do solo Português.

Conversamos sobre todos os assuntos relacionados à nossa terra, principalmente àquelas pessoas que contribuíram para o seu desenvolvimento sócio-cultural e econômico. Não podia deixar de faltar um assunto que não é muito de minha competência, mas que em nossas conversas de pé-de-ouvido vem sempre à tona: A política.

O mestre se mostrou preocupado com a atual situação do município e deixou claro que sempre há uma luz no fim do túnel... Há sempre uma esperança no futuro... Há um  Messias nativo para a terra prometida e, se ele não chegar em tempo breve, nossos sonhos serão despertos por sonoras vibrações membranofônicas que acompanharão um cortejo, de zumbis ancestrais enfurecidos, liderados pelo próprio Xamã como último recurso pela recuperação da simbólica Canaã.

 

PREMIO DO REGISTRO DO PATRIMONIO VIVO

22 de agosto, dia do Folclore.

 

Pela manhã entro no sítio do Diário Oficial do Estado  do Rio Grande do Norte e, para minha felicidade, alegria e todos seus sinônimos, li no resultado do PREMIO DO REGISTRO DO PATRIMÔNIO VIVO DO RIO GRANDE DO NORTE – RPV, que Ceará-Mirim tinha sido contemplado com o MESTRE TIÃO OLEIRO DOS CONGOS DE GUERRA e o GRUPO FOLCLÓRICO CABOCOLINHOS.

 

Essa seleção do prêmio garantirá recurso para que o mestre Tião Oleiro possa sobreviver da cultura popular e é o reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação à cultura brasileira.

 

Da mesma forma o grupo Cabocolinhos poderá com o recurso financeiro recebido continuar prestando o serviço a cultura de nosso pais, garantindo seu fortalecimento e sua  preservação através dos ensinamentos do Mestre Birico ás novas gerações de brincantes.

Esse foi o primeiro passo de uma caminhada que iniciaremos em busca da valorização de nossos bens culturais, sejam eles materiais ou imateriais. É a prova que se juntarmos nossas forças ficaremos fortes e poderemos lutar para conquistar novos horizontes, sem precisar de submissão, humilhação, constrangimentos, etc.

 

Vamos à Luta!!!

 

Gibson Machado Alves

Diário Oficial

Governo do Estado do Rio Grande do Norte

FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

 PROCESSO Nº 115229/2009-3

OBJETO: RESULTADO DO PREMIO DO REGISTRO DA PRIMONIO VIVO DO RIO GRANDE DO NORTE-RPV

A Comissão  Julgadora  do CONCURSO DE REGISTRO DO PATRIMÕNIO VIVO” , nos termos da Lei Federal nº. 8.666/93 e de acordo com os dispositivos deste Edital, nomeada pelo presidente da Fundação José Augusto, Joaquim Crispiniano Neto, através da portaria de nº. 444/08, de 26/09/2008, publicada no Diário Oficial do Estado em 27/09/08, torna público, a quem possa interessar que os vencedores foram:

07 -  PESSOAS NATURAIS:

1 –  LUIZ DE OLIVEIRA CAMPOS , VIOLEIRO “LUIZ CAMPOS” , 70 ANOS– MOSSORÓ-RN;

2 – JOÃO GRIGÓRIO DA ROCHA, ESCULTOR POPULAR – “GRIGÓRIO SANTEIRO” – 69 ANOS – TANGARÁ-RN;

3 – JOÃO GOMES SOBRINHO, POETA  CORDELISTA “ XEXEU” – 71 ANOS ,  SANTO ANTONIO-RN;

4 -  JOÃO VIANA DA SILVA , MAMULENGUEIRO , “JOÃO VIANA” , 79 ANOS , SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE-RN;

5 – ANTONIO RODRIGUES DA SILVA, MESTRE DE BOI- DE-REIS “ANTONIO DA LADEIRA”  85 ANOS – SANTA CRUZ-RN;

6 -  ANTONIO VIEIRA DA SILVA , MESTRE DE BOI DE REIS E MAMULENGUEIRO,  “ANTONIO DO PAPARÁ”,  68 ANOS – MACAIBA-RN e

 7 – SEBASTIÃO JOÃO DA ROCHA , MESTRE DOS CONGOS DE GUERRA–, “TIÃO OLEIRO” ,  95 ANOS  - CEARÁ-MIRIM-RN.

 

03 - PESSOAS JURIDICAS DE DIREITO PRIVADO:

 

1 – GRUPO  FANDANGO DE CANGUARETAMA – 150 ANOS DE ATUAÇÃO.

2 -  GRUPO FOLCLÓRICO CABOCOLINHOS DE CEARÁ-MIRIM – 80 ANOS DE ATUAÇÃO e

3 – GRUPO CHEGANÇA DE BARRA DE CUNHAU – MAIS DE 30 ANOS DE ATIVIDADES FOLCLÓRICAS;

 

Considerando o prazo  recursal, o processo encontra-se com vistas aos interessados para requererem o que couber, na forma da lei.

 

Natal, 21 de agosto de 2009

 

Joaquim Crispiniano Neto

Presidente da Comissão

CARTAS DE MADALENA AO FILHO RUY (II)

A correspondência que Ruy Antunes Pereira mantinha com sua Mãe, parentes e amigos é uma verdadeira declaração de amor à família, à amizade e, principalmente à sua terra, o Mundo Encantado - Engenho Mucuripe.

Textos do livro: Mucuripe o mundo encantado de Ruy Antunes Pereira - publicado por sua filha Denise Pereira Gaspar

Natal, 22 de julho de 1955.

 

Querido Ruy,

 

                Nada tenho para oferecer-lhe, além desta simples página de amor e gratidão. Antes, abençoado-o e rogando ao bom Deus pela sua felicidade.

                Você, meu cravinho, merece tudo que de melhor possa existir. Tudo isso, à querida Odette e os filhos amados – Ruyzinho e Denise.

                Lembre-se, meu amor, esses filhos são as pérolas da sua vida e terão que ser cultivados com carinho e proteção. Lembre-se também que quem lhes deu a vida, deu-lhes também os belos ensinamentos do quotidiano e os carinhos essenciais.

                Nunca se esqueça de que a Família é o maior e mais alto monumento. O único que jamais poderá ser abalado.

                Hoje, seu aniversário, venho beijá-lo como um rouxinol aproximando-se das flores. Pedindo-lhe que jamais esqueça os ensinamentos dos seus pais.

                Receba o carinho e as bênçãos da sua “eterna enamorada”, suplicando pela felicidade da sua linda Família, junto à qual você encontrará sempre a árvore forte e majestosa que não fenecerá, perpetuando-se nas novas gerações.

 

Sua Lhene.

 

 

 

CARTAS DE MADALENA AO FILHO RUY ( I )

A correspondência que Ruy Antunes Pereira mantinha com sua Mãe, parentes e amigos é uma verdadeira declaração de amor à família, à amizade e, principalmente à sua terra, o Mundo Encantado - Engenho Mucuripe.

Textos do livro: Mucuripe o mundo encantado de Ruy Antunes Pereira - publicado por sua filha Denise Pereira Gaspar

Natal, 13 de dezembro de 1953.

Querido Ruy,

                 Junto a esta um cartãozinho de Vicente(1) para você, aproveitando o ensejo para dar-lhe os parabéns pela chegada de Detinha(2) e Denise, além de duplas felicitações por ter a nossa Denisinha se saído otimamente nos estudos. Melhores festas você não poderia ter recebido, nem eu também!

                Hoje, lembra-se? Foi justamente num domingo de 1915 que caiu o dia de Santa Luzia, e eu, ao entrar no Oiteiro, definitivamente, só lhe fiz um pedido de que nunca deixasse faltar a luz do entendimento aos olhos dos meus filhos. Hoje, vejo-os de olhos abertos, lutando sem desânimos, vencendo os maiores obstáculos, dotados todos de grande senso de responsabilidade, uma das maiores virtudes do homem.

                Recordo tudo isso ma intimidade do meu ser, agarrada aos dias que ainda me restam, palmilhados de recordações saudosas, para que a roda da vida não vá se extinguindo, gritando, como um eixo sem óleo.

                O “Velho”(3) continua adoentado, caminhando para o princípio do fim. O Abel (4), lhe dirá sobre seu estado de saúde nesses últimos dias.

                Eu, da mesma idade que ele, vou ainda sendo poupada do flagelo da extrema velhice que varre, como um tufão, a alegria de viver.

                Receba a benção dos seus queridos pais e votos de Boas Festas, felicidades para 1954 tão diverso, esperamos, de 1953, que abriu enorme brecha em nossos corações, com a deplorável morte de Deusdeth(5), inesquecível, porque soube ficar na memória da família.

Sua Lhene (6)

1 Vicente Ignácio Pereira.

2 Odette Ribeiro Pereira

3 Olympio Varela Pereira – genitor de Ruy

4 Abel Antunes Pereira

5 Deusdeth Couto

6 Maria Magdalena Antunes Pereira – Genitora de Ruy

 

No domingo dia 26 de julho fui convidado para participar, como "cinegrafista", da I Jornada da Juventude do distrito de Capela. Fiquei impressionado com a participação dos jovens de nossa cidade e dos distritos circunvizinhos. Foi comovente a homenagem feita para uma das organizadoras do evento que faleceu recentemente. Lá encontrei meu amigo o economista William Gladson a quem solicitei um artigo sobre aquele momento cultural para que pudesse publicar em nosso singelo blog:

 

Jornada da Juventude 2009 (Por William Gladson)

 

            No domingo dia 26 de julho, na comunidade de Capela - Ceará - Mirim/RN, foi realizado o evento denominado de “Jornada da Juventude 2009”, o qual reuniu em torno de oitocentos jovens das mais diversas comunidades da paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Conjuntamente com os grupos de cânticos e o articulador paroquial e coordenador da pastoral da Juventude (PJ) Fernando de Oliveira, os jovens refletiram sobre as enumeras adversidades enfrentadas pela juventude na atualidade.

            De fato, essa situação de penúria vivenciada por tantos jovens foi a desencadeadora para realização do evento, tendo como ponto culmine os esforços da jovem Leni Azevedo da Silva, da comunidade de Capela, que não mediu esforços para que a jornada da juventude fosse realizada naquela comunidade. A nota triste é que ela tempos antes da realização do evento veio a falecer, sendo homenageada e ocasionando emoções a todos que estavam presentes na localidade. No entanto, a sua memória estimula para que a jornada pudesse ser realizada com êxito, mas também, engajar diversos fiéis no combate aos inúmeros males que assolam esses cristãos que ainda se encontram em processo de formação da sua fé.

            Faz-se necessário ainda ressaltar o ponto cerne da tarde-noite deste domingo, pois no transcorrer do período houve celebração eucarística presidida pelo vigário paroquial de Ceará - Mirim Padre Francisco Franklin, o qual salientou a importância premente de eventos dessas proporções e saudou os jovens quanto à disponibilidade desses ser a Igreja nas condições atuais existentes no mundo. Concluiu abençoando a todos os presentes, que se encontrava em união de fé no pátio da capela da comunidade assim anunciou a continuidade das atividades que se estenderam por volta das 20 horas.

            Portanto, os inúmeros jovens componentes dos diversos grupos pertencentes a PJ proporcionaram na tarde-noite desse domingo um evento repleto de alegria e congraçamento, demonstrando categoricamente que apesar das muitas problemáticas imersas na humanidade, ainda é possível vivenciar momentos celebrativos sem a necessidade de conflitos, separação de pessoas e/ou qualquer outra contingência capaz de quebrar o sentimento maior proposto por Jesus Cristo que é o amor posto de forma igual.

O VAQUEIRO LUIZ DE AMERICO

O VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO - LUIZ CABRAL DE OLIVEIRA

 

                Hoje, 29 de junho 2009, tive o prazer de conhecer o Mestre Luiz de Américo, tio do meu amigo Ionaldo Oliveira, que me apresentou ao grande vaqueiro. Homem de riso fácil, humilde e cativante... Fui conquistado pelo seu carinho! Esse dia ficará gravado para sempre.

                Em 08 de outubro de 1918 nascia em Ceará-Mirim Luiz Cabral de Oliveira, filho de João Maximiniano da Mota e Isabel Cabral de Oliveira. Dois dias após seu nascimento, sua mãe faleceu deixando nove filhos, sete homens e duas mulheres.

                Após a morte da mãe, o menino Luiz foi morar com um tio chamado Américo, irmão de Isabel, que tinha propriedade na localidade de Gravatá, no município de Ceará-Mirim. Além de criá-lo, Américo cuidou também de seus irmãos Orlando e Francisco. Em virtude de ter sido criado por esse tio o menino passou a ser conhecido por Luiz de Américo.

                Como não havia recém nascidos na região, ele foi amamentado por uma vaca muito mansa chamada Mimosa. Enquanto o animal era alimentado com capim, Luiz se deliciava em suas têtas. Tempos depois, a empregada que cuidava dele, a pedido de seu patrão, o ensinou a tirar o leite que colocava dentro de uma pequena cabaça, e misturava com farinha para se alimentar. Para seu grande amigo o ex-governador Cortêz Pereira aquele leite que bebera na infância tinha sido o “imã do gado” para Luiz de Américo.

                Cresceu nos arredores da Lagoa de Gravatá banhando-se e correndo atrás de gado, que era seu maior divertimento.

                Américo era homem de posses, além da propriedade, foi também proprietário – por arrendamento – do engenho Divisão que arrendou de Henrique Torres por um período de cinco anos. Luiz não se interessou pelas coisas do engenho porque o que ele queria mesmo era ser vaqueiro, campear o gado. Quando seu tio e pai Américo o mandava para a escola, no distrito de Capela, ele desviava o caminho e se embrenhava nas capoeiras em busca de gado para campear. Um dia seu pai descobriu a “mutreta” e deu-lhe uma boa sova, como ele mesmo descreve: “meu pai só dava duas braçadas, mais ninguém esquecia”.

                 Na era de 1920, quando tinha seis anos viu o ex-presidente da República Afonso Pena que veio para a inauguração de uma Estação Ferroviária entre Lages e Macau. Após as festividades Afonso Pena retornou e permaneceu em Ceará-Mirim onde teve uma grande festa em sua homenagem. Foi a primeira vez que Luiz assistiu uma vaquejada tão grande. O pátio foi montado em frente a igreja matriz, no centro do largo, que era limitado por duas fileiras de fícus benjamim. Ali nascia o vaqueiro que seria conhecido em todo o Rio Grande do Norte e Nordeste do Brasil.

                Quando seu pai faleceu, tinha 15 anos, então, sai da cidade e vai trabalhar em outros lugares. Ao regressar segue o conselho de Américo que um dia disse: “você comece a pensar na vida e se encoste numa pessoa que tenha nascido com posses, porque vão desaparecer seu pai, sua mãe e um grande amigo e você precisa vencer. Pensando nisso, procura trabalho com um grande fazendeiro da região conhecido como Major Vital Correia.

                Passou parte de sua vida trabalhando com o Major Vital Correia, que o considerava homem de confiança nas competições de vaquejada. Prova disso é que só quem montava o cavalo conhecido como “Patas Brancas” eram eles dois.

                No final dos anos 1940 Major Vital o mandou trabalhar em suas terras no sertão. Lá, conheceu Angelita e iniciou um romance através de olhares e conversas “relâmpagos”, pois flertavam em segredo. Desses olhares nascia uma paixão que levou Luiz a pedir a mão da donzela em casamento aos seus tutores. Não satisfeito veio à Ceará-Mirim falar com o pai da moça que era subdelegado na cidade de Pedro Avelino, para confirmar sua intenção e receber autorização deles para o matrimônio. Com o consentimento, regressou à fazenda e acertou com ela o contrato.

                O vaqueiro saiu do sertão deixando sua amada esperando por um bom tempo. Nesse período eles não se corresponderam e nem se viram, foi um afastamento de um ano. Quando resolveu que tinha chegado a hora, pediu permissão ao Major Vital para ir buscar sua amada. O Major prontamente o atendeu dando-lhe dinheiro e total apoio para a viagem. Casou-se em 1950 e permanecem juntos até os dias atuais.

                Esse grande vaqueiro representou o Estado do Rio Grande do Norte ajudando a divulgar o esporte de vaquejada em todo território nacional.

                Em 1942 o Major Vital Correia promoveu uma grande vaquejada para o General do Exercito Brasileiro Cordeiro de Farias, uma vez que o mesmo não conhecia o esporte. O evento aconteceu na fazenda Betânia e o maior destaque daquele dia foi o vaqueiro Luiz de Américo.

                Em 1953, no governo de Silvio Pedroza, foi realizada a primeira grande vaquejada em Natal, no Estádio Juvenal Lamartine. O evento foi organizado pelos esportistas Dr. Estelio Ferreira e José Ubarana. Foi uma disputa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba e Luiz de Américo deu o 1º lugar ao Estado do Rio Grande do Norte.

                Tem orgulho de ter sido convidado pelo então deputado Teodorico Bezerra para representar o Rio Grande do Norte, em 1955, na cidade de Santa Cruz do Inharé quando o presidente Juscelino Kubitschek visitou o estado. A festa foi muito concorrida, as pessoas vinham para conhecer o presidente. Nesse dia, o vaqueiro Dão João puxou um boi e partiu seu rabo, fato que o presidente viu e pediu o pedaço do rabo enrolando-o em jornal para levá-lo como lembrança.              

                Em seu tempo as vaquejadas eram organizadas de forma que os bois eram classificados em Gado Duro (de mais de 20 arrobas – acostumado a ser puxado); Gado Médio (de 15 a 19 arrobas – acostumado a ser puxado) e Gado mole (de 8 a 14 arrobas – que nunca tenha sido puxado) e cada rês só poderia correr uma única vez, conforme escrita no capítulo IV do Regulamento  da Vaquejada “Jubileu de Ouro” realizada nos dias 28 e 29 de maio de 1955, na cidade de Natal/RN.

                Uma grande frustração aconteceu no ano de 1958 quando não terminou a competição entre os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Ele fazia dupla com o saudoso Roberto Varela e estavam em primeiro lugar quando, na penúltima disputa, foi acidentado e lamentavelmente não pôde continuar. Nesse dia os louros foram para os norte-rio-grandenses Estelio Ferreira e Pedro Bento.

                Esse grande mestre dedicou toda sua vida às vaquejadas, onde divulgou e deu glórias ao Estado do Rio Grande do Norte. Lamenta ter sido esquecido pelas autoridades do Estado. Foi lembrado durante o governo de Cortês Pereira, que o convidou para ser administrador do Parque 13 de Maio a principal praça esportiva de vaquejada.

                Hoje aos 90 anos o mestre vaqueiro olha para o horizonte e lembra um passado de vitórias e glórias que eram embaladas por aplausos e reconhecimentos de uma arte nascida no sertão do Seridó, onde os grandes protagonistas eram o valente peão, o cavalo e o boi.

                Considerado como PATRIMÔNIO VIVO, Seu Luiz reside, com sua eterna companheira,  em Igapó, e lamenta não ser reconhecido como um homem que passou toda sua vida trabalhando pela cultura de sua terra e levando a arte do vaqueiro a todos os recantos do Nordeste.

                Como cearamirinense que é, o mestre poderia ser homenageado em sua terra e, quem sabe, nossos representantes encontrem uma forma de gratificá-lo com uma aposentadoria reconhecendo seu valor como Patrimônio Cultural e, também, possam refletir em um projeto que beneficie todos os grandes mestres que estão no anonimato, esquecidos e que deveriam ter um salário vitalício como forma de incentivá-los a repassar seus conhecimentos às novas gerações contribuindo para o fortalecimento e preservação de nossas tradições.

                Nossos mestres estão à espera de uma política de cultura que os façam “existir” como representantes legais de nossa cultura e não simples brincantes que eventualmente aparecem fantasiados dançando ou correndo como meros “marionetes”. Vamos lutar em respeito a todos esses grandes filhos de Ceará-Mirim: Luiz de Américo, Tião Oleiro, Luiz Chico, Maria do Carmo, Birico, Belchior. Zé Rodrigues, Luiz de Julia e tantos outros que estão ofuscados pela luz da incompreensão e falta de conhecimento.

PARABÉNS, CEARÁ-MIRIM!!!

PARABÉNS!!! CEARÁ-MIRIM!!!

Mais uma vez o destino levou-me ao encontro do amigo Amarildo... é que folheando alguns arquivos encontrei um folheto de propaganda eleitoral quando meu saudoso amigo foi candidato a vereador.

Esse poema é uma declaração que amor à nossa terra. É um sentimento brotado da mais profunda intimidade, de alguém que soube viver nossa província e, também, soube amá-la até o fim de seus dias. 

VOTE AMARILDO 12611 “CEARÁ-MIRIM ANTES E ACIMA DE TUDO” CEARÁ-MIRIM

Ceará-Mirim dos palmares que se agitam pelos ares sob os clarões matinais... dos ventos que bem conheces, a sinfonia que tece nos Verdes Canaviais.

Ceará-Mirim onde impera uma eterna primavera sob o fulgor de mil sóis... onde no calor dos ninhos gorjeiam mil passarinhos, saudando mil arrebóis.

Terra de praias formosas que das ondas caprichosas a espuma transitória, render-se vem, nas areias, onde encantadas sereias repetem a sua história.

Ceará-Mirim bela terra que heróis deu para a guerra em tempos e campos diversos... heróis  que o sangue verteram, que sempre engrandeceram quando na luta imersos.

Ceará-Mirim dos reluzentes brasões, das antigas tradições dos casarões e vivendas... dos sobrados encardidos que viram amores saídos, dos contos de fadas e lendas.

Ceará-Mirim da fidalguia, nobreza e aristocracia como nunca houve igual... que ouvia de ricas salas cantar o negro, nas senzalas, sua saudade ancestral.

Ceará-Mirim do sonolento “BANGUÊ” que ainda ouço planger como se vivo ainda fosse...de um rico passado antigo que o tempo levou consigo e nunca, nunca mais trouxe.

Ceará-Mirim dos engenhos aonde o franzir dos cenhos fez muito escravo tremer... o castigo dos patrões e no tronco e nos grilhões sob o chicote gemer.

Ceará-Mirim das sinhazinhas coradas, com suas saias bordadas de maravilhosas prendas, com seus cabelos compridos e suntuosos vestidos que eram sonhos e rendas.

Ceará-Mirim ao desfiar das lembranças, eu vejo as tuas crianças comigo seguindo a banda... ouço repicar teus sinos, vejo bailar teus meninos numa eterna ciranda.

Eu ouço ecos na praça, das retretas que eram a graça, da mocidade feliz... vejo as moças nos balcões, vendo passar as procissões nas festas lá da matriz.

Eu vejo o tempo parado, realidade o passado fazer de novo, talvez, sinhá-moça inda me encanta, um negro triste inda canta sua saudade outra vez.

E nesse enlevo risonho, consigo ver no meu sonho teu passado posto nu... mas, nesse belo cortejo, eu vejo tudo, só não vejo outra mais bela que TU.

 

Compare e Vote. “Na grandeza do passado nos inspiramos para construir o futuro”.

 

OS SERTÕES

Os Sertões, livro vingador de Euclides da Cunha

 

O conhecimento da realidade social brasileira passa por uma obra obrigatória, Os Sertões, de Euclides da Cunha. Pontua como um dos principais artífices do debate sobre as diferenças entre o interior e o litoral. Lima Barreto, por exemplo, escrevia e descrevia um Brasil litorâneo, com todas as dicotomias citadinas. Euclides centrou o seu foco no interior, no momento em que as contradições da república recém implantada no Brasil ressaltavam mais gravemente. A Guerra de Canudos não foi o primeiro nem o último episódio de massacre da sociedade afluente sobre uma tentativa de construção de um projeto societário diferente. Mas foi o único descrito em tantos detalhes e com tanta profundeza de detalhes por parte de uma testemunha ocular dos fatos.

Aquela guerra durou um ano e mobilizou mais de 12 mil soldados vindos de 17 estados brasileiros, mais da metade de todo o efetivo distribuídos em 4 expedições militares. Estima-se que morreram mais de 25 mil pessoas, culminando com a destruição total da cidade. Foi, de longe, a maior guerra de guerrilhas da história do Brasil.

 Breve Histórico

Na segunda metade do século XIX houve por um lado uma grave crise no sertão nordestino e, por outro, um estímulo do Vaticano a um revivescer da fé católica, com o apoio institucional da Igreja, vários leigos eram levados a aproximar-se mais da religião e, dentro dos rudimentos de sua capacidade de compreensão, assim como daquela gente simples a quem se dirigiam, a mensagem evangélica era retransmitida.

Neste contexto surgem pregadores os mais diversos, dentre os quais Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, “um gnóstico bronco”, “um heresiarca do século II em plena idade moderna”, “um monstro”, segundo ajuíza Euclides da Cunha em Os Sertões. Um homem do povo que, falando na língua do povo, dizia o que o povo queria e precisava ouvir e fazia o máximo, dentro de sua consciência possível, para suplantar o caos em seu tempo pelo menos até onde chegava sua esfera de influência.

Conglomerando milhares de adeptos ao seu redor, tentando construir um projeto civilizatório diferente, atraiu a si a fúria dos “coronéis” das redondezas privados da mão-de-obra barata que, evidentemente, preferia ir para o Belo Monte com toda a beleza poética e profética que a circundava, a trabalhar para outrem em condições muito pouco satisfatórias. Isso, claro, quando havia serviço no sertão... Bastante ligado às tradições católicas, Antônio Vicente Mendes Maciel protesta e luta contra a república - não que tivesse qualquer contato ou vínculo com os Orleans e Bragança, sua pregação era sebastianista! Com efeito, o orgulhoso positivismo republicano tirou da Igreja uma série de prerrogativas, por exemplo com a criação do casamento civil e a laicização dos cemitérios... Lutando com dificuldade - e conseguindo - melhorias existenciais para sua gente, Antônio Conselheiro acaba por atrair a repressão brutal de uma república incipiente, acaba por atrair a ira fanática daqueles que o julgavam (ou assim faziam crer através de maciça propaganda) “um monarquista disposto a lutar pela restauração do império de Pedro II” quando na verdade, o que ele queria mesmo era ver o império da “lei de Deus”, contra a “lei do Cão” da república velha.

Em nossa história, inúmeros foram os casos de tentativas de implantação de um projeto civilizatório diferente, todos implacavelmente massacrados pela sociedade afluente: Palmares, Colônia Cecília, a República Comunista Cristã dos Guaranis, Canudos, o Contestado... Somente os episódios que tiveram evento em Canudos contaram com a cobertura de alguém do porte genial de Euclides da Cunha, deixando-nos o legado de buscar ter mais compreensão e tolerância para com o diferente.

Fonte: http://www.culturabrasil.pro.br/sertoeslivroving.htm

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