RENDEIRAS DE JACUMÃ

AS RENDEIRAS DE JACUMÃ

Livro Ceará-Mirim tradição, engenho e arte - 2005 (por Dayanne Crystine Souza da Luz)

A renda de bilros ou de almofada, originária da Itália, chegou ao Brasil no século XVI, na região costeira, entre comunidades de pescadores. No Ceará-Mirim a confecção de renda surgiu pelas mãos das mulheres, nas praias de Muriu e Jacumã. Hoje o artesanato rendeiro está extinto em Muriu, pois as mulheres não se interessam em perpetuar a tradição. marinalva Maciel conta qu sua Mã, natália Gomes, aprndeu a fazer renda de bilros aos dez anos de idade, com sua mãe, na época em que trabalhavam embaixo das árvores da praia e nas portas das casas. O comprador era o veranista que passava  se interessava pelo produto, geralmente caminho de mesa, blusa e estola.Natália Gomes parou de produzir renda há seis anos, por motivo de doença. Hoje em muriú tem um centro de artesanato para o turista, onde são vendidas peças vindas de outros estados brasileiros, em flagrante desestímulo ao artesanato local.

A "Associação da Mulher Rendeira" em jacumã, formada há dois anos, treinou e incentiva as mulheres para aperfeiçoarem um trabalho que fora aprendido com suas avós. Novos pontos são incorporados ás renda e é ensinada a forma de a artesã calcular o seu lucro e entrar no mercado. O trabalho da rendeira é delicado e custoso, usando almofada, linha, bilros, papelão, alfinetes e espinhos de cardeiros.

Publicado pelo jornalista Sergio Villar em seu Diário do Tempo

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Ceará-Mirim inserida na Lei do Patrimônio Vivo

Os dez beneficiados deste ano pela Lei do Patrimônio Vivo já foram escolhidos.

Como noticiei por meio de matéria veiculada no Diário de Natal, os dois primeiros grupos (dos três contemplados com a bolsa vitalícia de R$ 1,5 mil) foram a Chegança e o Fandango, ambos de Canguaretama.

Soube hoje que o terceiro e último foi definido. E para minha alegria, o grupo escolhido foi o Cabocolinho de Ceará-Mirim, capitaneado pelo mestre Birico.

Quando estive em Ceará-Mirim para realizar o mapeamento cultural proposto pela revista Preá tive a oportunidade de conversar com Birico e com mestre Tião, do Congo de Guerra, do mesmo município.

Pois meu amigo e grande batalhador da cultura cearamirinense, Gibson, avisou que o nonagenário Tião foi o sétimo e último escolhido para receber a bolsa individual (R$ 700), entregue aos mestres.

Torço mesmo que essa grana seja bem empregada e produza frutos, incentivo e dignidade a essas pessoas. Elas merecem e muito.

De cá, tiro meu chapéu surrado a Gibson, ao deputado Fernando Mineiro - autor da Lei - e à Comissão Estadual de Folclore, presidida pelo folclorista Severino Vicente e de seu presidente de honra, Deífilo Gurgel, pelas escolhas.
LEMBRANÇAS DE 7 DE SETEMBRO

LEMBRANÇAS DE 7 DE SETEMBRO

Desfile na Semana da Pátria - 07 de setembro - idos de 1960 - Escola Normal de Ceará-Mirim

As reminiscências são como energias que nos sacodem quando voltam em nossa memória. Elas têm o poder de fazer com que reflitamos cada momento vivido e, sempre, há algo que nos faz recordar emocionados, principalmente quando somos os principais atores.

É o caso dos desfiles escolares no 7 de setembro lá nos idos dos anos 1970. Era o  meu tempo, desfiles acompanhados pelas bandas escolares cadenciando as marchas e, nós, orgulhosos por representar nossas escolas numa data tão importante para os brasileiros.

Não sei se no momento atual, em nossa briosa vila, é possível realizar um ato de civilidade tão significativo, As emoções são outras e poucos têm conhecimento do que é patriotismo.

Estamos na era dos marombados, das garrafinhas e de tantas esquisitices que ofuscam o querer ser brasileiro, porque, também, nossa Pátria Mãe Gentil vive um momento em que filhos ilustres, que são pagos para protegê-la, surrupiam o verde e amarelo sem nenhum escrúpulo, tornando-se espelhos para uma legião de "filhos de goiamuns" que são gerados para abocanhar nossas divisas.

Nós brasileiros, estamos à mercê de uma realidade cruel onde ser honesto é, para uma grande maioria, sinônimo de babaquice e a esperteza é um símbolo de conquista em nosso Brasil Varonil.

De qualquer forma estou enviando uma fotografia de um desfile de 7 de setembro, em nossa província verde cana, lá pelos tempos de 1960. Tempo em que ser brasileiro era ser filho de uma Mãe Gentil e tínhamos orgulho de defendê-la.

Em viagem a Caicó dia 04/09/2009 tive oportunidade de presenciar um desfile cívico na cidade de Macaíba. O clima de festa era enorme, as pessoas nas ruas vibravam e aplaudiam as diversas escolas que desfilavam cada uma com sua banda, nelas, os componentes estavam devidamente uniformizados conduzindo emocionados cordões de estudantes que marchavam em sincronia com as marchas tocadas.

 

Semana da Patria - desfile na cidade de Macaíba - 04/09/2009

Em Caicó, no distrito de Lajinha, distante 30 quilômetros da cidade, encontramos, dia 06/09, os estudantes da localidade desfilando na praça e eram conduzidos pela banda da escola. As pessoas no pequeno distrito, encravado entre serras e caatinga, comemoravam heroicamente o dia da Independência do Brasil.

Será que era possível resgatar em nossas escolas, principalmente as públicas, esse momento de confraternização e civismo para nós brasileiros?. É muito importante que nossos políticos e sociedade se unam para valorizar e reintroduzir esse evento no calendário das festividades de nosso município, pois ele é muito importante para a história de nosso país.

 

ENCONTO DE MESTRES DA CULTURA POPULAR

Foto para registrar a reunião com os mestres e o início de uma nova parceria

É muito importante fazer o registro de ações que venham produzir resultados positivos. Preocupado com a situação de nossa cultura popular, solicitei ao amigo Francisco Navegantes que viabilizasse um encontro dos Mestres de nossa cultura popular com o Deputado Mineiro autor da Lei do Registro do Patrimônio Vivo.

Convocamos os Mestres e fizemos a reunião no dia 13 de agosto de 2009. O deputado fez uma explanação do que era a Lei e sugeriu que agilizássemos as inscrições de nossos valores culturais no concurso que se encerraria no dia 20/08/2009.

A partir desse encontro ficou acertado que faríamos o possível para inscrever todos que tivessem possibilidade de ser selecionado. Enviamos os portfólios do grupo Boi de Reis de Matas e o de Mestre Tião. Os Cabocolinhos foi providenciado pelo Mestre Severino Roberto. Graças a união e força de todos, conseguimos com que os Cabocolinhos e o Mestre Tião Oleiro do Congo de Guerra fossem contemplados como Patrimônio Vivo do RN, pela Fundação José Augusto e Governo do Estado do RN. Os Cabocolinhos receberão recursos financeiros que ajudará na sua manutenção e o mestre Tião receberá um salário até o fim de sua vida.

A Prefeitura de Ceará-Mirim poderia fazer um estudo junto com a Câmara de Vereadores para que nosso município também tivesse uma Lei que beneficiasse os representates reais de nossa Cultura Popular. Para não corrermos o risco de permanecer sem reconhecer os valores da terra, como foi o caso de tantos artistas que já se foram, como Etevaldo, Mané Rebequinha, Isaac do Grude, José Luiz, José Gago, Mestre Déo, Isabel Poti e tantos outros.

A reunião com os Mestres foi o ponto de partida para que iniciasse o processo de registro de todas as nossas manifestações culturais na Receita Federal. A partir da segunda semana de setembro faremos os contatos para viabilizar todos esses registro de CNPJ, principalmente dos grupos folclóricos que estão ameaçados de desaparecimento, como é o caso dos Congos de Guerra, Pastoril, Boi de Reis de Matas, bambelô Asa Branca do Mestre Belchior.

A situação da valorização de nossas tradições é muito crítica. Saimos eu e mestre Birico a fim de localizarmos um grupo de Bambelô que existiu na comunidade de Gravatá. Lá encontramos o mestre José Rodrigues a quem solicitei informações para reestruturarmos o bambelô. Para minha surpresa e tristeza ele nos informou que isso era praticamente impossível porque não existia o coqueiro (brincante e poeta que tira as emboladas e as rimas improvizadas) e, também, era raro encontrar batedores dos tambores que fazem o acompanhamento do côco de roda, principalmente o que chamamos de "chama".

Fica o manifesto para que nos instigue a fazer, dessa preocupação e desabafo, um aliado que venha provocar a coragem e tenacidade de nossos artistas e representantes da cultura popular a fim de que busquem crescer e que não esperem somente a ajuda das esferas públicas, porque sabemos que é uma obrigação constitucional, no entanto, pouca coisa "constituciuonal" no Brasil funciona plenamente. Nos resta pedir forças para superar as diversidade e encarar os desafios a fim de crescer e vencer pelo cansaço e não perder pelo desespero e pela desesperança.

MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELA

MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELLA

Por Denise Gaspar

 

            Filha de Maria Madalena Antunes Pereira e Olímpio Varella Pereira, Maria Antonieta Pereira Varella nasceu em Ceará-Mirim no dia 09 de maio de 1906.

            Fez seus primeiros estudos com a professora Adele de Oliveira e depois na Escola Doméstica de Natal, tendo se destacado sempre pela sua inteligência, educação, discrição, beleza e simplicidade.

            Casou no dia 01 de maio de 1924 com Luiz Lopes Varella, primo, fidalgo de nascimento e logo usineiro de sucesso, prefeito de Ceará-Mirim, suplente do Senador Kerginaldo Cavalcanti, empresário, dono dos cinemas Nordeste e São Pedro, algumas sociedades com Luiz de Barros e outras com Jessé Pinto Freire.

            Do seu casamento com Luiz Varella nasceram 5 filhos: Marilda, Mariza, Manoel, Roberto e Ione.

1)   Marilda nasceu em 31/01/1925 e casou em 1946, na usina São Francisco em Ceará-Mirim, com o oficial de Marinha João Carlos de Freitas Raulino. Tiveram 5 filhos: Marildinha, Luiz Eduardo, Regina Laura, Carlos Eduardo e Branda Maria.

2)   Marilza faleceu com um ano e oito meses.

3)   Manoel faleceu com 8 meses.

4)   Roberto nasceu em 04 de novembro de 1928 e casou-se em Natal, no ano de 1951, com Maria Elenir Fonseca. Tiveram quatro filhos: Luiz Neto, Cinthia, Márcia e Sheila. Em  1985 uniu-se a Ana Anunciada Costa com quem viveu até o seu falecimento em 04 de outubro de 2006.

5)   Ione nasceu em 26 de janeiro de 1931 e casou em Natal em 1948, com o primo – agrônomo, depois usineiro e deputado federal Eider Freire Varela. Tiveram três filhos: Tânia, Euler e Eudes.

            Antonieta teve papel de grande destaque na vida do seu marido Luiz Lopes Varella. Quando da Intentona Comunista em 1935, Luiz Varella, usineiro, foi paradoxalmente acusado de comunista, tendo sido perseguido e forçado a viajar com toda a família, vivendo humildemente no bairro do Andaraí, costurando em sua residência para o sustento de todos, inclusive sua sogra, a fidalga Dona Etelvina de Paula Lopes Varella.

            Esta passagem enchia de orgulho o seu esposo, que costumava dizer à sua filha Marildinha: “Eu jamais seria o que sou sem Antonieta – ame-a muito e sempre”.

            Era excelente dona de casa, exímia na arte culinária e dotada de requinte ímpar nos menores detalhes. Como anfitriã, recebeu com perfeição as maiores autoridades do Estado e do País, tais como os governadores Aluizio Alves do Rio Grande do Norte, Ademar de Barros de São Paulo e o presidente da República João Café Filho que foi seu hóspede inúmeras vezes.

            Suas casas, quer na usina São Francisco em Ceará-Mirim, como em Natal, eram decoradas com  a mais requintada simplicidade, apesar das pratarias, cristais, porcelanas e quadros valiosos. Nelas, recebia não apenas autoridades e políticos, mas também os humildes, os funcionários, os moradores, familiares e todo aquele que precisasse de caridade ou do aconchego familiar. Suas casas eram abertas a todos, sem discriminação de estado social.

            Mas ela não era apenas uma excelente hostess. Eram inúmeras as qualidades dessa extraordinária mulher: Dona de uma personalidade invejável e possuidora de forte caráter, foi também uma das primeiras mulheres a dirigir automóvel no Rio Grande do Norte. Inteligente, altiva, porém, bastante sentimental e carinhosa, era excelente filha, irmã e esposa, mãe, tia, sogra, avó e bisavó. Acima de tudo, era amiga de seus amigos, e por isso muito bem relacionada em toda a sociedade.

Abel, Antonieta, Vicente e Ruy

            Amava seus irmãos: Ruy, Vicente, Abel e Darquinha, assim como todos os sobrinhos.

            Lembro-me do carinho que dedicou a minha família em 1947 quando meu pai Ruy Antunes Pereira,e minha mãe Odette, resolveram morar em Natal. Como nossa casa estava em construção, ficamos todos – meus pais, o afilhado Ruyzinho e eu – hospedados com os queridos tio Luiz e Antonieta. Época, em que tivemos a honra de privar da hospitalidade desse casal ímpar, que se tornou meus compadres, padrinhos de batismo de meu filho Sérgio Gaspar.

            Como o mesmo afeto e elegância cederam a mansão da Praça Pio X, para a recepção dos casamentos das sobrinhas Gipsy (com Dr. Antonio Montenegro) e Suely (com Dr. Emanoel Alves Afonso).

            Antonieta Varella também fazia filantropia, isolada ou em grupo, ia, por exemplo, sozinha em seu automóvel, para que ninguém soubesse, levar mantimentos aos detentos da penitenciária “João Chaves”, em Natal.

            Foi  uma das fundadoras da ACF (Associação Cristã Feminina) – entidade que recebia moças que vinham do interior para estudar em Natal. Atuou com destaque ao lado de Maria Alice Fernandes, Ivete Bezerra, Cindinha  Dumaresq e Lucia Viveiros, dentre outras. Segunda presidente, em sua gestão foi adquirida a casa onde a associação funciona até hoje – Avenida Prudente de Morais, nº. 300.

            Após perder seu marido, Luiz Varella em 15 de julho de 1976, residiu em seu apartamento no Rio de Janeiro e voltou a morar em Natal e posteriormente em Ceará-Mirim, onde faleceu em 20 de janeiro de 1990.

            Eleita por um jornal da Paraíba como “EXCELSA IMPERATRIZ DA FORMOSURA”, pode ser considerada, pelas suas atitudes e pelo seu caráter, a – “GRANDE DAMA DOS VERDES CANAVIAIS E DO RIO GRANDE DO NORTE”!

VISITA A DOM UBIRATAM...O MAGO DE SHANGRILÁ

Esse registro foi feito no aniversário de Carlos Sobral em Canudos... infelizmente não registrei nosso encontro dia 25/08.

Terça-feira dia 25 de agosto de 2009 (detalho a data para o futuro fazer a referência) fomos eu e meu amigo, mineiro de diamantes e angolano de labuta, João José visitar o lendário Xamã Dom Ubiratan em seu retiro espiritual Shangrilá.

Fazer uma descrição daquele ambiente maravilhoso é como viajar no imaginário mundo encantado de algum lugar medieval em que temos a sensação de sermos observados por gárgulas invisíveis que nos vigiam através do pequeno fragmento de mata atlântica que circula o espaço.

Árvores frondosas e arbustos de jurema preta tornam Shangrilá mágica, transcendental e mística, é como um transporte para o inexistente, por isso o sábio bruxo fica isolado recebendo energias cósmicas e expurgando as forças pecaminosas emanadas pelos metafóricos “Cavaleiros de Walpurgis”.

O que interessa mesmo relatar são as histórias “bocadamateanas” contadas por Manoelzinho Moreira  o Mago de Shangrilá... São fatos que valem ouvir e registrar porque fazem parte de todo um itinerário histórico e cultural de nossa contemporânea Ceará-Mirim.

Sempre que visito Shangrilá tento digerir - além do bom vinho e acompanhamento - o máximo de informações possíveis uma vez que nossos encontros são passageiros e o tempo naquele lugar mágico transcorre numa velocidade impressionante, por isso que, consciente daquela efemeridade, busco captar tudo quanto é discutido em nossas conversas.

Foi uma tarde diferente para ser uma terça-feira, no entanto meu amigo João José viajava no dia seguinte para Angola e foi presentear Dom Ubirartan com um livro de lugares importantes do solo Português.

Conversamos sobre todos os assuntos relacionados à nossa terra, principalmente àquelas pessoas que contribuíram para o seu desenvolvimento sócio-cultural e econômico. Não podia deixar de faltar um assunto que não é muito de minha competência, mas que em nossas conversas de pé-de-ouvido vem sempre à tona: A política.

O mestre se mostrou preocupado com a atual situação do município e deixou claro que sempre há uma luz no fim do túnel... Há sempre uma esperança no futuro... Há um  Messias nativo para a terra prometida e, se ele não chegar em tempo breve, nossos sonhos serão despertos por sonoras vibrações membranofônicas que acompanharão um cortejo, de zumbis ancestrais enfurecidos, liderados pelo próprio Xamã como último recurso pela recuperação da simbólica Canaã.

 

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