PREMIO DO REGISTRO DO PATRIMONIO VIVO

22 de agosto, dia do Folclore.

 

Pela manhã entro no sítio do Diário Oficial do Estado  do Rio Grande do Norte e, para minha felicidade, alegria e todos seus sinônimos, li no resultado do PREMIO DO REGISTRO DO PATRIMÔNIO VIVO DO RIO GRANDE DO NORTE – RPV, que Ceará-Mirim tinha sido contemplado com o MESTRE TIÃO OLEIRO DOS CONGOS DE GUERRA e o GRUPO FOLCLÓRICO CABOCOLINHOS.

 

Essa seleção do prêmio garantirá recurso para que o mestre Tião Oleiro possa sobreviver da cultura popular e é o reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação à cultura brasileira.

 

Da mesma forma o grupo Cabocolinhos poderá com o recurso financeiro recebido continuar prestando o serviço a cultura de nosso pais, garantindo seu fortalecimento e sua  preservação através dos ensinamentos do Mestre Birico ás novas gerações de brincantes.

Esse foi o primeiro passo de uma caminhada que iniciaremos em busca da valorização de nossos bens culturais, sejam eles materiais ou imateriais. É a prova que se juntarmos nossas forças ficaremos fortes e poderemos lutar para conquistar novos horizontes, sem precisar de submissão, humilhação, constrangimentos, etc.

 

Vamos à Luta!!!

 

Gibson Machado Alves

Diário Oficial

Governo do Estado do Rio Grande do Norte

FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

 PROCESSO Nº 115229/2009-3

OBJETO: RESULTADO DO PREMIO DO REGISTRO DA PRIMONIO VIVO DO RIO GRANDE DO NORTE-RPV

A Comissão  Julgadora  do CONCURSO DE REGISTRO DO PATRIMÕNIO VIVO” , nos termos da Lei Federal nº. 8.666/93 e de acordo com os dispositivos deste Edital, nomeada pelo presidente da Fundação José Augusto, Joaquim Crispiniano Neto, através da portaria de nº. 444/08, de 26/09/2008, publicada no Diário Oficial do Estado em 27/09/08, torna público, a quem possa interessar que os vencedores foram:

07 -  PESSOAS NATURAIS:

1 –  LUIZ DE OLIVEIRA CAMPOS , VIOLEIRO “LUIZ CAMPOS” , 70 ANOS– MOSSORÓ-RN;

2 – JOÃO GRIGÓRIO DA ROCHA, ESCULTOR POPULAR – “GRIGÓRIO SANTEIRO” – 69 ANOS – TANGARÁ-RN;

3 – JOÃO GOMES SOBRINHO, POETA  CORDELISTA “ XEXEU” – 71 ANOS ,  SANTO ANTONIO-RN;

4 -  JOÃO VIANA DA SILVA , MAMULENGUEIRO , “JOÃO VIANA” , 79 ANOS , SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE-RN;

5 – ANTONIO RODRIGUES DA SILVA, MESTRE DE BOI- DE-REIS “ANTONIO DA LADEIRA”  85 ANOS – SANTA CRUZ-RN;

6 -  ANTONIO VIEIRA DA SILVA , MESTRE DE BOI DE REIS E MAMULENGUEIRO,  “ANTONIO DO PAPARÁ”,  68 ANOS – MACAIBA-RN e

 7 – SEBASTIÃO JOÃO DA ROCHA , MESTRE DOS CONGOS DE GUERRA–, “TIÃO OLEIRO” ,  95 ANOS  - CEARÁ-MIRIM-RN.

 

03 - PESSOAS JURIDICAS DE DIREITO PRIVADO:

 

1 – GRUPO  FANDANGO DE CANGUARETAMA – 150 ANOS DE ATUAÇÃO.

2 -  GRUPO FOLCLÓRICO CABOCOLINHOS DE CEARÁ-MIRIM – 80 ANOS DE ATUAÇÃO e

3 – GRUPO CHEGANÇA DE BARRA DE CUNHAU – MAIS DE 30 ANOS DE ATIVIDADES FOLCLÓRICAS;

 

Considerando o prazo  recursal, o processo encontra-se com vistas aos interessados para requererem o que couber, na forma da lei.

 

Natal, 21 de agosto de 2009

 

Joaquim Crispiniano Neto

Presidente da Comissão

CARTAS DE MADALENA AO FILHO RUY (II)

A correspondência que Ruy Antunes Pereira mantinha com sua Mãe, parentes e amigos é uma verdadeira declaração de amor à família, à amizade e, principalmente à sua terra, o Mundo Encantado - Engenho Mucuripe.

Textos do livro: Mucuripe o mundo encantado de Ruy Antunes Pereira - publicado por sua filha Denise Pereira Gaspar

Natal, 22 de julho de 1955.

 

Querido Ruy,

 

                Nada tenho para oferecer-lhe, além desta simples página de amor e gratidão. Antes, abençoado-o e rogando ao bom Deus pela sua felicidade.

                Você, meu cravinho, merece tudo que de melhor possa existir. Tudo isso, à querida Odette e os filhos amados – Ruyzinho e Denise.

                Lembre-se, meu amor, esses filhos são as pérolas da sua vida e terão que ser cultivados com carinho e proteção. Lembre-se também que quem lhes deu a vida, deu-lhes também os belos ensinamentos do quotidiano e os carinhos essenciais.

                Nunca se esqueça de que a Família é o maior e mais alto monumento. O único que jamais poderá ser abalado.

                Hoje, seu aniversário, venho beijá-lo como um rouxinol aproximando-se das flores. Pedindo-lhe que jamais esqueça os ensinamentos dos seus pais.

                Receba o carinho e as bênçãos da sua “eterna enamorada”, suplicando pela felicidade da sua linda Família, junto à qual você encontrará sempre a árvore forte e majestosa que não fenecerá, perpetuando-se nas novas gerações.

 

Sua Lhene.

 

 

 

CARTAS DE MADALENA AO FILHO RUY ( I )

A correspondência que Ruy Antunes Pereira mantinha com sua Mãe, parentes e amigos é uma verdadeira declaração de amor à família, à amizade e, principalmente à sua terra, o Mundo Encantado - Engenho Mucuripe.

Textos do livro: Mucuripe o mundo encantado de Ruy Antunes Pereira - publicado por sua filha Denise Pereira Gaspar

Natal, 13 de dezembro de 1953.

Querido Ruy,

                 Junto a esta um cartãozinho de Vicente(1) para você, aproveitando o ensejo para dar-lhe os parabéns pela chegada de Detinha(2) e Denise, além de duplas felicitações por ter a nossa Denisinha se saído otimamente nos estudos. Melhores festas você não poderia ter recebido, nem eu também!

                Hoje, lembra-se? Foi justamente num domingo de 1915 que caiu o dia de Santa Luzia, e eu, ao entrar no Oiteiro, definitivamente, só lhe fiz um pedido de que nunca deixasse faltar a luz do entendimento aos olhos dos meus filhos. Hoje, vejo-os de olhos abertos, lutando sem desânimos, vencendo os maiores obstáculos, dotados todos de grande senso de responsabilidade, uma das maiores virtudes do homem.

                Recordo tudo isso ma intimidade do meu ser, agarrada aos dias que ainda me restam, palmilhados de recordações saudosas, para que a roda da vida não vá se extinguindo, gritando, como um eixo sem óleo.

                O “Velho”(3) continua adoentado, caminhando para o princípio do fim. O Abel (4), lhe dirá sobre seu estado de saúde nesses últimos dias.

                Eu, da mesma idade que ele, vou ainda sendo poupada do flagelo da extrema velhice que varre, como um tufão, a alegria de viver.

                Receba a benção dos seus queridos pais e votos de Boas Festas, felicidades para 1954 tão diverso, esperamos, de 1953, que abriu enorme brecha em nossos corações, com a deplorável morte de Deusdeth(5), inesquecível, porque soube ficar na memória da família.

Sua Lhene (6)

1 Vicente Ignácio Pereira.

2 Odette Ribeiro Pereira

3 Olympio Varela Pereira – genitor de Ruy

4 Abel Antunes Pereira

5 Deusdeth Couto

6 Maria Magdalena Antunes Pereira – Genitora de Ruy

 

No domingo dia 26 de julho fui convidado para participar, como "cinegrafista", da I Jornada da Juventude do distrito de Capela. Fiquei impressionado com a participação dos jovens de nossa cidade e dos distritos circunvizinhos. Foi comovente a homenagem feita para uma das organizadoras do evento que faleceu recentemente. Lá encontrei meu amigo o economista William Gladson a quem solicitei um artigo sobre aquele momento cultural para que pudesse publicar em nosso singelo blog:

 

Jornada da Juventude 2009 (Por William Gladson)

 

            No domingo dia 26 de julho, na comunidade de Capela - Ceará - Mirim/RN, foi realizado o evento denominado de “Jornada da Juventude 2009”, o qual reuniu em torno de oitocentos jovens das mais diversas comunidades da paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Conjuntamente com os grupos de cânticos e o articulador paroquial e coordenador da pastoral da Juventude (PJ) Fernando de Oliveira, os jovens refletiram sobre as enumeras adversidades enfrentadas pela juventude na atualidade.

            De fato, essa situação de penúria vivenciada por tantos jovens foi a desencadeadora para realização do evento, tendo como ponto culmine os esforços da jovem Leni Azevedo da Silva, da comunidade de Capela, que não mediu esforços para que a jornada da juventude fosse realizada naquela comunidade. A nota triste é que ela tempos antes da realização do evento veio a falecer, sendo homenageada e ocasionando emoções a todos que estavam presentes na localidade. No entanto, a sua memória estimula para que a jornada pudesse ser realizada com êxito, mas também, engajar diversos fiéis no combate aos inúmeros males que assolam esses cristãos que ainda se encontram em processo de formação da sua fé.

            Faz-se necessário ainda ressaltar o ponto cerne da tarde-noite deste domingo, pois no transcorrer do período houve celebração eucarística presidida pelo vigário paroquial de Ceará - Mirim Padre Francisco Franklin, o qual salientou a importância premente de eventos dessas proporções e saudou os jovens quanto à disponibilidade desses ser a Igreja nas condições atuais existentes no mundo. Concluiu abençoando a todos os presentes, que se encontrava em união de fé no pátio da capela da comunidade assim anunciou a continuidade das atividades que se estenderam por volta das 20 horas.

            Portanto, os inúmeros jovens componentes dos diversos grupos pertencentes a PJ proporcionaram na tarde-noite desse domingo um evento repleto de alegria e congraçamento, demonstrando categoricamente que apesar das muitas problemáticas imersas na humanidade, ainda é possível vivenciar momentos celebrativos sem a necessidade de conflitos, separação de pessoas e/ou qualquer outra contingência capaz de quebrar o sentimento maior proposto por Jesus Cristo que é o amor posto de forma igual.

O VAQUEIRO LUIZ DE AMERICO

O VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO - LUIZ CABRAL DE OLIVEIRA

 

                Hoje, 29 de junho 2009, tive o prazer de conhecer o Mestre Luiz de Américo, tio do meu amigo Ionaldo Oliveira, que me apresentou ao grande vaqueiro. Homem de riso fácil, humilde e cativante... Fui conquistado pelo seu carinho! Esse dia ficará gravado para sempre.

                Em 08 de outubro de 1918 nascia em Ceará-Mirim Luiz Cabral de Oliveira, filho de João Maximiniano da Mota e Isabel Cabral de Oliveira. Dois dias após seu nascimento, sua mãe faleceu deixando nove filhos, sete homens e duas mulheres.

                Após a morte da mãe, o menino Luiz foi morar com um tio chamado Américo, irmão de Isabel, que tinha propriedade na localidade de Gravatá, no município de Ceará-Mirim. Além de criá-lo, Américo cuidou também de seus irmãos Orlando e Francisco. Em virtude de ter sido criado por esse tio o menino passou a ser conhecido por Luiz de Américo.

                Como não havia recém nascidos na região, ele foi amamentado por uma vaca muito mansa chamada Mimosa. Enquanto o animal era alimentado com capim, Luiz se deliciava em suas têtas. Tempos depois, a empregada que cuidava dele, a pedido de seu patrão, o ensinou a tirar o leite que colocava dentro de uma pequena cabaça, e misturava com farinha para se alimentar. Para seu grande amigo o ex-governador Cortêz Pereira aquele leite que bebera na infância tinha sido o “imã do gado” para Luiz de Américo.

                Cresceu nos arredores da Lagoa de Gravatá banhando-se e correndo atrás de gado, que era seu maior divertimento.

                Américo era homem de posses, além da propriedade, foi também proprietário – por arrendamento – do engenho Divisão que arrendou de Henrique Torres por um período de cinco anos. Luiz não se interessou pelas coisas do engenho porque o que ele queria mesmo era ser vaqueiro, campear o gado. Quando seu tio e pai Américo o mandava para a escola, no distrito de Capela, ele desviava o caminho e se embrenhava nas capoeiras em busca de gado para campear. Um dia seu pai descobriu a “mutreta” e deu-lhe uma boa sova, como ele mesmo descreve: “meu pai só dava duas braçadas, mais ninguém esquecia”.

                 Na era de 1920, quando tinha seis anos viu o ex-presidente da República Afonso Pena que veio para a inauguração de uma Estação Ferroviária entre Lages e Macau. Após as festividades Afonso Pena retornou e permaneceu em Ceará-Mirim onde teve uma grande festa em sua homenagem. Foi a primeira vez que Luiz assistiu uma vaquejada tão grande. O pátio foi montado em frente a igreja matriz, no centro do largo, que era limitado por duas fileiras de fícus benjamim. Ali nascia o vaqueiro que seria conhecido em todo o Rio Grande do Norte e Nordeste do Brasil.

                Quando seu pai faleceu, tinha 15 anos, então, sai da cidade e vai trabalhar em outros lugares. Ao regressar segue o conselho de Américo que um dia disse: “você comece a pensar na vida e se encoste numa pessoa que tenha nascido com posses, porque vão desaparecer seu pai, sua mãe e um grande amigo e você precisa vencer. Pensando nisso, procura trabalho com um grande fazendeiro da região conhecido como Major Vital Correia.

                Passou parte de sua vida trabalhando com o Major Vital Correia, que o considerava homem de confiança nas competições de vaquejada. Prova disso é que só quem montava o cavalo conhecido como “Patas Brancas” eram eles dois.

                No final dos anos 1940 Major Vital o mandou trabalhar em suas terras no sertão. Lá, conheceu Angelita e iniciou um romance através de olhares e conversas “relâmpagos”, pois flertavam em segredo. Desses olhares nascia uma paixão que levou Luiz a pedir a mão da donzela em casamento aos seus tutores. Não satisfeito veio à Ceará-Mirim falar com o pai da moça que era subdelegado na cidade de Pedro Avelino, para confirmar sua intenção e receber autorização deles para o matrimônio. Com o consentimento, regressou à fazenda e acertou com ela o contrato.

                O vaqueiro saiu do sertão deixando sua amada esperando por um bom tempo. Nesse período eles não se corresponderam e nem se viram, foi um afastamento de um ano. Quando resolveu que tinha chegado a hora, pediu permissão ao Major Vital para ir buscar sua amada. O Major prontamente o atendeu dando-lhe dinheiro e total apoio para a viagem. Casou-se em 1950 e permanecem juntos até os dias atuais.

                Esse grande vaqueiro representou o Estado do Rio Grande do Norte ajudando a divulgar o esporte de vaquejada em todo território nacional.

                Em 1942 o Major Vital Correia promoveu uma grande vaquejada para o General do Exercito Brasileiro Cordeiro de Farias, uma vez que o mesmo não conhecia o esporte. O evento aconteceu na fazenda Betânia e o maior destaque daquele dia foi o vaqueiro Luiz de Américo.

                Em 1953, no governo de Silvio Pedroza, foi realizada a primeira grande vaquejada em Natal, no Estádio Juvenal Lamartine. O evento foi organizado pelos esportistas Dr. Estelio Ferreira e José Ubarana. Foi uma disputa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba e Luiz de Américo deu o 1º lugar ao Estado do Rio Grande do Norte.

                Tem orgulho de ter sido convidado pelo então deputado Teodorico Bezerra para representar o Rio Grande do Norte, em 1955, na cidade de Santa Cruz do Inharé quando o presidente Juscelino Kubitschek visitou o estado. A festa foi muito concorrida, as pessoas vinham para conhecer o presidente. Nesse dia, o vaqueiro Dão João puxou um boi e partiu seu rabo, fato que o presidente viu e pediu o pedaço do rabo enrolando-o em jornal para levá-lo como lembrança.              

                Em seu tempo as vaquejadas eram organizadas de forma que os bois eram classificados em Gado Duro (de mais de 20 arrobas – acostumado a ser puxado); Gado Médio (de 15 a 19 arrobas – acostumado a ser puxado) e Gado mole (de 8 a 14 arrobas – que nunca tenha sido puxado) e cada rês só poderia correr uma única vez, conforme escrita no capítulo IV do Regulamento  da Vaquejada “Jubileu de Ouro” realizada nos dias 28 e 29 de maio de 1955, na cidade de Natal/RN.

                Uma grande frustração aconteceu no ano de 1958 quando não terminou a competição entre os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Ele fazia dupla com o saudoso Roberto Varela e estavam em primeiro lugar quando, na penúltima disputa, foi acidentado e lamentavelmente não pôde continuar. Nesse dia os louros foram para os norte-rio-grandenses Estelio Ferreira e Pedro Bento.

                Esse grande mestre dedicou toda sua vida às vaquejadas, onde divulgou e deu glórias ao Estado do Rio Grande do Norte. Lamenta ter sido esquecido pelas autoridades do Estado. Foi lembrado durante o governo de Cortês Pereira, que o convidou para ser administrador do Parque 13 de Maio a principal praça esportiva de vaquejada.

                Hoje aos 90 anos o mestre vaqueiro olha para o horizonte e lembra um passado de vitórias e glórias que eram embaladas por aplausos e reconhecimentos de uma arte nascida no sertão do Seridó, onde os grandes protagonistas eram o valente peão, o cavalo e o boi.

                Considerado como PATRIMÔNIO VIVO, Seu Luiz reside, com sua eterna companheira,  em Igapó, e lamenta não ser reconhecido como um homem que passou toda sua vida trabalhando pela cultura de sua terra e levando a arte do vaqueiro a todos os recantos do Nordeste.

                Como cearamirinense que é, o mestre poderia ser homenageado em sua terra e, quem sabe, nossos representantes encontrem uma forma de gratificá-lo com uma aposentadoria reconhecendo seu valor como Patrimônio Cultural e, também, possam refletir em um projeto que beneficie todos os grandes mestres que estão no anonimato, esquecidos e que deveriam ter um salário vitalício como forma de incentivá-los a repassar seus conhecimentos às novas gerações contribuindo para o fortalecimento e preservação de nossas tradições.

                Nossos mestres estão à espera de uma política de cultura que os façam “existir” como representantes legais de nossa cultura e não simples brincantes que eventualmente aparecem fantasiados dançando ou correndo como meros “marionetes”. Vamos lutar em respeito a todos esses grandes filhos de Ceará-Mirim: Luiz de Américo, Tião Oleiro, Luiz Chico, Maria do Carmo, Birico, Belchior. Zé Rodrigues, Luiz de Julia e tantos outros que estão ofuscados pela luz da incompreensão e falta de conhecimento.

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